Venha compartilhar um pouco do trabalho que realizo como historiador e professor da cidade de Cotia. Mergulhe no passado das pessoas que construiram este lugar, recorde fatos marcantes que deram identidade cultural a esta cidade.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

BOAS FESTAS

Final de ano é tempo de correria, compras, presentes, amigo secreto e principalmente de mesa farta. Mas nessa agitação também sobram momentos de reflexão sobre o que acertamos e erramos durante o ano, para que assim possamos repor as energias e começar mais um com projetos de coisas melhores.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

PAPAI NOEL VESTE PRETO E BRANCO



CADA SER HUMANO É UMA PEQUENA SOCIEDADE.
(Novalis)

Quando chega o final do ano, lá vem ele: um Papel Noel gordo, de barba branca e roupa vermelha. Até que já tentaram fazê-lo diferente, mas não foi mais do que um modismo passageiro. O que realmente está marcado na nossa memória é o Papai Noel tradicional. É desse que gostamos! Mas será que o Papai Noel é sempre assim, bonachão?  Será que durante o ano ele não tem crises existenciais como todo mundo tem? Não podemos esquecer que esse Noel, que enche o nosso imaginário de sentimentos nobres durante esse período do ano, também é gente.

Na última década, com o desenvolvimento econômico do país, o Papai Noel tem andado muito satisfeito e alegre, pois são muitos presentes. A economia aquecida fez com que cem milhões de brasileiros ascendessem à nova classe média, e inserida no mercado de consumo ela vai ao paraíso para realizar seus sonhos. E o Papai Noel? A que classe social ele pertence? Não acredito que você nunca parou para pensar nisso!  Será que ele tem cartão de crédito? Insônia de tanta preocupação com os juros desse cartão que precisam ser pagos? Entre mim  e você ele é uma pessoa adorável: uma pessoa que está sempre ali para nos receber com um sorriso e uma palavra que acalenta nossos sonhos e reforça as esperanças. Afinal ele é gente, de carne e osso!

Sem polêmica, acho que o velho Noel é Corinthiano. Outro dia o vi no meio da multidão da Vinte e Cinco de Março. Andava agitado de um lado para o outro, só que vestido de preto e branco. Um detalhe me chamou a atenção: tirou de uma bolsa um monte de bilhetes com cores de todos os times e aos poucos foi atendendo a cada pedido.

Até isso o senhor ensina Papai Noel, que a intolerância não é uma conduta que devemos conservar. Essa sua atitude foi sutil para mostrar que devemos viver em comunhão e com as diferenças. Mas penso se esse Noel anônimo já perguntou o que estamos fazendo nesse mundo... será que ele é ateu? Ainda continuo achando que ele é gente. Ser gente é muito importante no mundo de hoje. Ah! Nesse dia em que o vi, saiu da “25” com o saco cheio de presentes, televisão de led, laptop, celulares da última geração e muito mais.

Será que é melhor “ter” ou “ser”?

Professor Marcos Roberto Bueno Martinez

CONSTRUINDO O FUTURO

 
CENTRO EDUCACIONAL DO MIRANTE DA MATA

(C. E. José Roberto Maceno)

 


O Centro Educacional José Roberto Maceno foi inaugurado no dia 28 de junho de 2003. Me lembro que nesse dia fazia muito frio. A reação de alguns moradores do Mirante da Mata, quando tiveram a notícia de que a escola seria construída, não foi diferente da de outros bairros onde erguemos outras creches: descrença! O nome dado a este centro foi uma homenagem ao líder comunitário José Roberto Maceno, que sempre esteve envolvido nas lutas para a melhoria do bairro. Além de presidente da Sociedade dos Amigos do Mirante da Mata,  dirigiu o CONSABS.

 Professor Marcos Roberto Bueno Martinez

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Ganhei um poema!


 Alma amiga

Marcos, alma amiga e extrovertida
De tua vida exemplo se fez
Estendida sua mão no afago, no aperto,
no conserto, no conselho e no apelo!

Tua caneta vida criou
No papel tudo expressou
Na memória ficarás
Qual soneto fiarás.


Obrigado, Lúcia Venturini, alma amiga.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

PÁTIO DA ESCOLA ANTÔNIO ZACARIAS DA SILVA



(Atual Pedro Casemiro Leite)


Arquivo: Márcia Pareja

Essa foto da antiga Escola Zacarias Antônio da Silva foi enviada pela professora Márcia Pareja, e destaca um grupo de crianças no pátio da escola. Segundo a professora, a foto foi tirada entre 1969 e 1970. Do lado direito, em destaque, a Professora Maria do Carmo (falecida recentemente). A Professora Pareja identificou a aluna do 3º ano, Marilisa, hoje supervisora de ensino em São Roque, e o aluno do quinto ano, Haroldo, filho do senhor Dimas. Deixo a você, que estudou nessa época, a tarefa de ajudar a identificar  as professoras e alunos na foto.

Professor Marcos Roberto Bueno Martinez


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

ALBERTO CAEIRO, UM PEDAÇO DE FERNANDO PESSOA

Lembram quando escrevi um texto sobre Fernando Pessoa,  antes mesmo de terminar a leitura do livro? (Fernando Pessoa uma quase autobiografia, escrito por José Paulo Cavalcanti Filho). Pedi então desculpas pelo meu atrevimento, mas continuo lendo o mesmo livro, vagarosamente e aproveitando cada detalhe e informação sobre o poeta e seus heterônimos.

Desavergonhadamente, de novo,  venho escrever singelas linhas sobre Alberto Caeiro,  um dos seus 127 heterônimos, ainda sem terminar a leitura do livro. E sem fazer a promessa de não cometer esse pecado (de escrever algo antes de terminar a leitura), quero continuar fazendo essa transgressão toda vez que for tocado na alma pelas palavras de Pessoa e de seus “outros”.

CANTO X
(O GUARDADOR)

Que te diz o vento que passa?
 Que é vento e que passa.
 E que já passou antes.
 E que passará depois.

Este canto inspirou Manuel Alegre a escrever “Trova do Vento que Passa”, que foi musicado por  Antonio Portugal. Este fado se transformou em um hino da resistência a Salazar e hino da  Revolução dos Cravos. Abaixo um pequeno trecho:


TOVA DO VENTO QUE PASSA

Pergunto ao vento que passa
Notícias do meu país
E o vento cala a desgraça
O vento nada me diz

Mas há sempre uma candeia
Dentro da própria desgraça
Há sempre alguém que semeia
Canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
Em tempo de servidão
Há sempre alguém que resiste
Há sempre alguém que diz não.



Professor Marcos Roberto Bueno Martinez

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

LÚCIA TORREZANI: UMA RELAÇÃO DE AMOR COM A CIDADE


Lúcia Gomes muitos de vocês não conhecem, mas se retiramos o Gomes e acrescentarmos o sobrenome Torrezani,  aí muita gente conhece! 

D. Lúcia Torrezani chegou em Cotia em 1958, vindo da cidade de Santos, e fincou raízes em Cotia. Seus pais, Antonio Joaquim Gomes e Dona Encarnação Pires Gomes, chegaram à cidade dois anos antes da filha, em 1956, e foram durante muito tempo proprietários do Bar do Quatrocentão, próximo de onde hoje se localiza o “Extra”, na Raposo Tavares. Este nome foi dado pelo antigo dono em homenagem aos quatrocentos anos da cidade de São Paulo, em 1954.

D. Lúcia nos recebeu em sua casa com um almoço maravilhoso, para mostrar o acervo de quadros que retratam a arquitetura da Cotia antiga. As fotos foram tiradas em 1918 e delicadamente transformadas em quadros pelo artista plástico Jurandir Diniz, morador do Morro Grande  e conhecido internacionalmente pelo seu trabalho. As fotos dos quadros foram tiradas pela jornalista Fau Barbosa.


D. Lúcia Torrezani foi vice-prefeita de Cotia nos anos de 2000 a 2008 e também Secretária da Assistência Social. Foi fundadora e presidente da APAE da cidade e sempre esteve envolvida com atividades sociais, desenvolvidas com a igreja.




Vista  da Rua Senador Feijó, subindo no sentido do  Atalaia. 
Uma referência atual é a delegacia de polícia.



Olhando da descida do Atalaia para o centro de Cotia, ao fundo situa-se hoje a
Câmara Municipal. À esquerda da foto o prédio Treme-treme, hoje uma bicicletaria.



  Praça Padre Seixas. À esquerda vai-se para o centro de Cotia e à direita para o Atalaia.

Neste prédio funcionava uma hotelaria que hospedava os tropeiros que iam para Sorocaba e para o sul do país. A rua em frente ao prédio é a antiga rodovia São Paulo-Paraná, depois Raposo Tavares e hoje a rua Senador Feijó. O prédio Treme-treme recebeu este apelido pois ele tremia quando passavam carros e caminhões pela estrada.




Na Praça da Matriz  existiam casas de moradores e comércio.
O “Seu” Roque Gianeti tinha ali sua barbearia e “Seu” Barros a sua farmácia. 
Em uma destas casas morava a D. Carmelina.



Uma vista da Rua Senador Feijó. Faça um olhar da igreja para a loja dos calçados Sérgio.



 Ao lado esquerdo a igreja e do lado direito uma bomba de gasolina. Rua Senador Feijó.



Vindo da rua das Casas Pernambucanas, o sentido da igreja da Matriz é contra mão.
Do lado direito fica a rua Prefeito Joaquim Horácio Pedroso (1884-1952),  e à esquerda é a
Rua Senador Feijó.





Detalhe do hidrante próximo à esquina da rua Prefeito Joaquim Horácio Pedroso
e rua Senador Feijó.




Ao fundo a Praça Joaquim Nunes e a rua José Barreto, que ainda não existia.
Para lembrar: As casas Pernambucanas  e a casa Yano. A banca de jornal do seu Manoel.
Que diferença...




Fachada da farmácia do Senhor Barros.



Uma visão geral da igreja Nossa Senhora do Monte Serrat, inaugurada em 1713.




Agradecemos à D. Lúcia Torrezani, por ter-nos cedido gentilmente seu acervo de quadros.


Prof. Marcos Roberto Bueno Martinez

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O FOTÓGRAFO


Laerte é o personagem do lado esquerdo da foto.


Quando comecei a pesquisar a História de Cotia, entrei em contato com documentos e fotos antigas da cidade, que foram aos poucos revelando a memória dos seus moradores e a bela arquitetura colonial, ainda preservada.

No meio de tanta informação e durante as entrevistas, as pessoas me diziam que aquela foto tinha sido tirada pelo fotógrafo “Lete”, como era conhecido. Assim, muitas das imagens que hoje contemplamos com admiração, realmente foram eternizadas pelo fotógrafo Laerte.

Professor Marcos Roberto Bueno Martinez

terça-feira, 8 de novembro de 2011

DESMATAMENTO E OMISSÃO DOS PODERES PÚBLICOS EM COTIA

Tenho visto quase toda semana na mídia local, denúncias de desmatamento de áreas verdes da cidade de Cotia para a construção de empreendimentos imobiliários. Antes que possam pensar que tenho alguma coisa contra o desenvolvimento do município quero deixar claro que progresso é sempre bom, o que incomoda é o crescimento desorganizado. Tenho visto também nesta mesma mídia o esforço da Secretaria de Meio Ambiente para autuar os infratores. Mesmo assim, os crimes ambientais continuam em ritmo acelerado, ou melhor, alucinado. Aí resta questionar: Qual o poder de decisão da Secretaria de Meio ambiente em relação a estes crimes ambientais? É só de atender as denúncias e autuar os infratores? Judicialmente, o que acontece com estes infratores? Quem autoriza a construção destes empreendimentos? É a Secretaria de Meio Ambiente? São apenas algumas dúvidas...

A estratégia de desmatamento ilícito não é tão diferente da ocupação de terrenos para a construção de moradias irregulares, ou seja, “vai construindo que depois a gente resolve”. Esta  depois se torna uma questão social e “sobra” para o poder público, que não viu a irregularidade ou fez de conta que não viu. É bom lembrar que este tipo de ação às vezes é incentivado por candidatos. Gente vale voto! Em relação ao desmatamento, as táticas são as seguintes: provocar um incêndio na área desejada ou, enquanto não chega a autorização para o desmatamento, fazer o serviço veladamente, ir contando o mato rasteiro até chegar a tal permissão. Afinal, quem dá a autorização para o desmatamento em Cotia? É  Secretaria de Habitação? Quais os trâmites para solicitar o desmatamento de uma área? Estas são mais algumas dúvidas...

Desmatamento não é só derrubar o mato que  tanto incomoda o progresso. Implica em mexer no ecossistema deste ambiente. Segundo informações que obtive, antes de ser permitido o desmatamento e para dar andamento no processo para construir alguma coisa, é feito um levantamento da flora e da fauna do lugar. E depois do levantamento, o que acontece com a fauna e a flora? Existe compensação? Que tipo de compensação? Quem fiscaliza esta compensação? Afinal, quem autoriza os pedidos de desmatamento? É a Secretaria de Meio Ambiente do Estado São Paulo? Apenas algumas dúvidas a mais...

Esta é a ideia que fica: de omissão do poder público frente a um assunto tão importante e delicado. Parece que ninguém é responsável pela questão. Esta omissão é perigosa, atenta contra as instituições democráticas e abre caminho para a barbárie.

Não me alongando muito mais neste assunto, este crescimento desordenado e ganancioso acaba por exigir a construção de escolas, de postos de saúde, exige segurança, transportes, infraestrutura esta que se vê claramente que não está sendo providenciada pelo poder público. Ou melhor, acontece lentamente, enquanto que a invasão imobiliária é devastadora.

No artigo que escrevi neste espaço, intitulado Prostituição em torno do Ginásio de Esportes, chamei a atenção dos poderes legislativo, executivo e judiciário para o problema. Quero alertar estes mesmos organismos com relação ao desmatamento. Afinal, esta cidade tem um Plano Diretor. Estes poderes não podem fazer de conta que nada está acontecendo. Afinal...

Professor Marcos Roberto Bueno Martinez

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

CONSTRUINDO O FUTURO


CENTRO EDUCACIONAL HO DEH KONG

(Parque Alessandra)




A parceria entre a H. BUSTER e a Prefeitura de Cotia viabilizou o sonho dos moradores do Parque Alessandra, que esperavam a construção de uma creche há mais de vinte anos. Nesta parceria a prefeitura entrou com o terreno e a empresa com a construção do prédio. O Centro Educacional Ho Deh Kong foi inaugurado em 21 de novembro de 2008.

Professor Marcos Roberto Bueno Martinez

terça-feira, 1 de novembro de 2011

LULA, VAMOS CAMINHAR COM VOCÊ!

No final da década de 70, comecei a ouvir falar muito do Lula. Na época uma boa parte da imprensa “descia a lenha” sem dó: grevista, baderneiro, barbudo, comunista e tantos outros adjetivos que não devem nem mesmo ser lembrados. O que não podemos esquecer é que vivíamos sob a égide da ditadura militar.

Algum tempo depois o “sapo barbudo” – assim o apelidou o senhor Brizola – juntamente com vários segmentos da sociedade brasileira, indignados com a ditadura, fundaram o Partido dos Trabalhadores. E os comentários continuaram, aumentando cada vez mais o rancor carregado de uma boa dose de ódio e preconceito: “Como um analfabeto pode organizar um partido?” “Só falta querer ser presidente do Brasil!” A personagem Tereza Cristina, da novela das oito, existe e está presente no inconsciente coletivo de muitos brasileiros, representando o desprezo que estes têm pelo povo.

Muitos homens públicos e celebridades receberam diagnóstico de câncer, assim como Lula, e foram atendidos no Sírio Libanês e no Albert Einstein. O caso mais recente foi o do vice- presidente José Alencar, que deu uma aula de resistência e luta contra o câncer de que foi acometido. Outra vez surgiram falas e comentários idiotizados, carregados de preconceito, quando a mídia divulgou que o ex-presidente Lula estava com câncer na laringe. “Ele deveria ser tratado pelo SUS!” Porque isto não é dito de outras pessoas públicas e celebridades? Por outro lado, se ele fosse fazer o tratamento pelo SUS, diriam que ele estaria ocupando a vaga de um paciente menos favorecido financeiramente.

O Lula não inventou o Brasil e merece respeito e carinho dos brasileiros pelo que fez, e mesmo que discordemos do seu governo, ele foi um marco importante como presidente neste período democrático. Devemos respeitar o seu sofrimento e o de sua família.

O que não podemos é “misturar alhos com bugalhos” neste momento delicado, e iniciar uma discussão sobre a saúde pública que, todos sabemos, não é ruim. É muito ruim.

Lula, estamos torcendo por você e com certeza você vai dar o seu exemplo de superação e resistência.

Professor Marcos Roberto Bueno Martinez


domingo, 30 de outubro de 2011

OS ÚLTIMOS SOLDADOS DA GUERRA FRIA

Cada livro escrito pelo jornalista Fernando de Moraes é sempre uma boa surpresa, com muita emoção. Muito longe da caricatura conhecida do espião americano ou inglês, neste novo livro o pesquisador nos apresenta espiões cubanos, e estes, por sua vez, estão distantes do glamour dos agentes de países capitalistas, que gastam milhões para vencerem seus inimigos. Os cubanos, alguns refugiados em Miami e outros em diversas cidades americanas, vão ralar muito trabalhando em serviços que são destinados aos imigrantes, não importando a sua formação no país de origem.  Tio Sam está lá para recebê-los de braços abertos.
Os James Bond’s cubanos serão infiltrados em organizações anticastristas, que se estruturaram na América para minar a já combalida sociedade cubana com ações terroristas, com a intenção de  espantar os turistas estrangeiros que visitam a ilha, principalmente depois do final da guerra fria. Assim, estas organizações humanitárias acreditavam que estavam enfraquecendo ainda mais o governo de Castro e que voltariam para estabelecer um novo governo em Cuba. O velho ditador deu muitos passos à frente destas organizações de ultradireita. A partir da década de noventa o Projeto Vespa vai enviar os melhores homens do exército cubano para minar estas organizações anticastristas, que serão monitoradas e vigiadas, e muitas de suas ações contra Cuba serão frustradas.
Os Últimos Soldados da Guerra Fria, um livro documentado e rico em detalhes desta façanha dos agentes cubanos dentro do quintal americano, vale a pena ser lido. No final fica a dúvida sobre o que é real ou ficção nesta história, mas é uma leitura saborosa.
Professor Marcos Roberto Bueno Martinez

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

CONSTRUINDO O FUTURO

ESCOLA MUNICIPAL JOSÉ MANOEL DE OLIVEIRA

(CAPELINHA)






A comunidade da Capelinha solicitava a construção de uma nova escola há mais de vinte anos. A antiga já tinha mais de trinta, era de madeira e estava caindo aos pedaços, com perigo de desmoronar em cima dos seus usuários. Fomos chamados para uma reunião com os moradores do bairro e muitos não compareceram, pois não acreditavam que seu pedido fosse atendido. O descrédito em relação ao poder público era muito grande e com razão: no terreno da antiga escola tinha sido começada uma construção, que foi abandonada com as paredes erguidas pela metade, e no terreno em que foi construída a nova escola havia uma outra estrutura, também começada e abandonada. Mesmo com gente dizendo que a escola sairia no “dia de são nunca”, ela foi inaugurada no dia 15 de março de 2008.

Cada escola que construímos neste tempo de Secretaria de Educação tem sua história, sua marca. A escola do bairro da Capelinha, em Caucaia do  Alto, foi erguida tendo em vista o bem estar dos funcionários, professores e alunos. A secretaria, a cozinha e a direção têm percepção de tudo o que acontece no ambiente escolar, pois os alunos passam em frente a esses espaços para saírem das salas de aula e da escola. Além desta preocupação filosófica construímos uma biblioteca e um laboratório de informática. No terreno onde havia o prédio começado e não terminado fizemos uma quadra. 
 
O nome da escola é uma homenagem ao Sr. José Manoel de Oliveira, que foi um homem simples, mas autodidata, que ainda antes da construção da primeira escola já ensinava as primeiras letras às crianças da localidade.

Professor Marcos Roberto Bueno Martinez

sexta-feira, 14 de outubro de 2011



DIA DOS PROFESSORES

 

 
Irene Lemos Leite Silva, professora primária, lecionou na Escola Moinho Velho, em Cotia. Esta escola era frequentada, na sua maioria, por alunos de origem japonesa. Ela foi professora do menino Kenji Kira, que depois se tornou prefeito da cidade.

Minha avó, D. Tereza Rivera da Silva, foi uma professora autodidata, que ensinou as primeiras letras às suas irmãs e aos trabalhadores das fazendas no interior de São Paulo. Depois de exercer a profissão durante muito tempo como leiga, foi para o banco escolar. Formou-se em 1974 e continuou ensinando.

Com estas experiências de vida, fica aqui uma singela homenagem aos professores destes Brasis.



Professor Marcos Roberto Bueno Martinez

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

CONSTRUINDO O FUTURO

INTRODUÇÃO

Durante o tempo que fiquei à frente da Secretaria de Educação de Cotia, construímos mais de trinta escolas. Agora pretendo, com pequenos artigos, mostrar a História de cada uma delas. Assim registraremos como foram erguidas, as preocupações que tivemos, e ao mesmo tempo realizaremos um mapeamento dos bairros de Cotia e suas necessidades. O leitor que desconhece a cidade devido à sua extensão geográfica terá a oportunidade de conhecê-la melhor. O sucesso do trabalho que realizamos durante oito anos divido com a equipe de educadores e funcionários da Secretaria de Educação e com cada escola que desenvolveu projetos e sonhos para que avançássemos rumo a uma educação de qualidade.


ESCOLA MUNICIPAL IVO MÁRIO ISAAC PIRES 


 


Recebemos o “esqueleto” desta escola, que estava abandonada e entrando em processo de deterioração, em  Caucaia do Alto. Retomamos a construção com alguns cuidados em relação à estrutura de dois andares. Havia apenas uma escada central que não era suficiente para permitir o acesso de todos. Assim, construímos uma rampa lateral. Construímos também uma quadra e montamos um laboratório de computação com 16 máquinas com acesso à Internet. Com a escola funcionando, providenciamos o ônibus escolar (TEC) para atender aos alunos que moravam distantes. A escola de Ensino Fundamental foi inaugurada no dia 18 de outubro de 2005.


Professor Marcos Roberto Bueno Martinez

terça-feira, 11 de outubro de 2011

ICARO AMADEU BUENO MARTINEZ

Há  vinte e seis anos você chegou... 
Lembro-me sempre de quando o peguei nos braços e senti que ali tinha iniciado uma outra fase em minha vida. 
Parabéns filho! 



segunda-feira, 10 de outubro de 2011

SER CRIANÇA!



Que tal brincar de usar a imaginação no Dia da Criança? Que tal usar a memória para lembrar das coisas de quando éramos crianças? Lembro-me que não dormia enquanto meus pais  não me diziam “Deus te abençoe”:
― A “bença” pai! A “bença” pai!
― Deus te abençoe, meu filho.
Depois de ouvir a “bença” o sono chegava e a noite era mais tranquila. Agora adulto, parece que aquela bênção era bobagem, mas ela era muito importante...
Mais de uma vez mobilizei a cidade onde morava pelo meu desaparecimento. Lembro-me que nas Sextas-feiras da Paixão, o cinema da cidade exibia o filme da paixão de Cristo (em preto e branco) o dia inteiro. Num ano entrei na primeira sessão depois do almoço e saí na última, quase meia-noite. Quando saí na porta do Cine Votuporanga tinha uma multidão me procurando, achando que eu tinha desaparecido. Recebi abraços de saudades e alguns puxões de orelha. Só assim percebi que tinha feito alguma coisa errada.
Continuo a me lembrar. Tem arte que a gente fez, que os pais até hoje não sabem. Vou contar uma: quando chegava um circo na cidade eu ficava louco para assistir ao espetáculo. Certa vez chegou o circo dos palhaços Faísca e Pimentão. Arrumei um jeito de ajudar a buscar água e de vender maçã do amor. Até aí um comportamento normal. Depois de um tempo de amizade com a trupe do circo fui chamado para trabalhar na peça de teatro “O Lavrador”. E não é que me sai bem?!! Eu me lembro que nesta peça tinha a música de uma dupla sertaneja famosa, só não me recordo o nome. Devo dizer que a minha carreira de ator terminou logo, na noite de estréia, pois minha participação foi realizada às escondidas dos meus pais. E adivinhe quem estava na platéia na primeira apresentação do espetáculo? Meus pais, claro. Eles não me reconheceram por causa da roupa de camponês que eu vestia. Mas nunca mais eu tive coragem de subir no palco do circo do Faísca, de medo de encontrar meus pais novamente na platéia.
É muito bom recordar estas histórias e, por isso, quero convidá-lo a usar a sua imaginação e a buscar na memória as histórias do seu tempo de criança. Depois, sente-se confortavelmente no sofá da sala e chame seu filho:
― Filho, vem cá que eu quero contar algumas histórias de quando eu era criança! Senta aí e escuta! 

                                                                                              Professor Marcos Roberto Bueno Martinez       

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

ANIVERSÁRIO DE COTIA - 1971





O Sr. José Marques de Oliveira, com uma câmera super 8, registrou imagens memoráveis da cidade, como o desfile cívico do aniversário de Cotia em 1971. Observa-se neste vídeo um carro com um bolo no teto, indicando a idade da cidade, a taça Jules Rimet e outras alegorias.

O Sr. José, Rosely Marques, Rose Novaes Pedroso, Marta Savioli, Márcia Pança, José Benedito Bolli e o saudoso Antonio Pio dos Santos são vistos na fita. Segundo o Sr. José, a Fanfarra do G. E. Z. A. S., comandada pelo Prof. Fernandinho, foi o embrião daquela que tempos depois se tornaria a Fanfarra Regente Feijó. 
 
Observam-se também carros como o Aerowillis, e ao fundo o casario antigo que não existe mais.


Professor Marcos Roberto Bueno Martinez


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

GENTE...




 









   
  
                                                                              



































Professor Marcos Roberto Bueno Martinez

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

KAZUO CUMPRIU SEU DESTINO



“A psicologia nunca poderá dizer a verdade sobre a loucura, pois é a loucura que detém a verdade da psicologia.” (Michel Foucault)

“Mas eu também sei ser careta. De perto, ninguém é normal.” (Caetano Veloso)  


Imagine se não existissem personagens como o Kazuo na sociedade? Desprovido de qualquer apego material e se expressando do jeito que bem  entendesse.  Às vezes amoroso e às vezes agressivo, conforme a leitura que fazia das situações que se apresentavam. Em Cotia tivemos muitos “Kazuos”, na sua História. Talvez o mais famoso tenha sido o Morrudo, que passou por aqui na década de 40 e se foi como chegou, ao vento. Ele era querido e buscava água nas nascentes próximas ao núcleo da cidade para abastecer as casas. Em troca pedia uma gorjeta. No melhor estilo Rodrigueano em “A vida como ela é”, dizia Kazuo: “– As coisas não são bem assim.” Saudades!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

TRIBUNA LIVRE JÁ!


UMA PEQUENA NOTA:

A Câmara Municipal de Cotia tem dado passos importantes no sentido de ampliar a participação da população nos debates e nas decisões dos projetos de lei. Como exemplos, o “Projeto Câmara Itinerante”, que tem ido até os bairros, e em uma sessão da casa, no dia 16 de agosto, foi dada uma abertura aos professores presentes para que se manifestassem, no púlpito da assembleia. Avanços! Não acredito que estas ações do poder legislativo sejam um jogo  de marketing, tipo  faz de conta: “eu faço de conta que tem abertura e você faz de conta que participa”. Não acredito nessa hipótese. Porque não a tribuna livre? Já está mais do que na hora!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

UM SONHO





Da esquerda para direita: Osvaldo Manoel de Oliveira, Odair Pacheco Pedroso, João Tavares, Rubens Ferrari, Benedito Viviani e Epitácio da Rocha Gadelha. Esta foto foi tirada em 1968. No dia 12/12/ 1975 é inaugurado o Hospital de Cotia. 

MANCHETE DO JORNAL REGIÃO

“GOVERNADOR E MINISTRO DA SAÚDE INAUGURAM
O HOSPITAL DE COTIA”


Professor Marcos Roberto Bueno Martinez



segunda-feira, 19 de setembro de 2011

EPIDEMIA DE VARÍOLA EM COTIA (1)



O primeiro registro de surto de varíola em Cotia data de 1791. Antes de continuar com este assunto um tanto mórbido, quero convidá-los a criar um cenário usando ficção e História, de como era Cotia no final do século XVIII. Já imaginou? Na praça da matriz, olhando no horizonte nevoento, ao fundo a Igreja de 1713, a venda de escravos e o comércio agitado pelos tropeiros com destino ao sul. Imaginou o burburinho das rezadeiras encomendando mais uma alma vitimada de bexiga, como era conhecida a varíola? Mais um detalhe, os corpos não podiam ser enterrados em solo sagrado, daí a necessidade de criar um cemitério em outro lugar, como revela documento da Igreja Nossa Senhora do Monte Serrat. E a vida vai sendo levada melancolicamente.

“Aos 18 do mês de outubro de 1791, com licença benzi um cemitério perto desta freguesia, de fronte da Cruz das almas que está no caminho que vai para Sorocaba e perto de um pinheiro, para serem sepultados os corpos dos que falecerem de bexigas e males contagiosos para não infectar o povo todo. E para constar, fiz este termo que assino”.- o Vigário Fernando Lopes de Camargo. (Tombo de Cotia: 1728-1844, p.65v. Arquivo Metropolitano Dom Duarte Leopoldo e Silva). 

Cento e trinta e sete anos depois, outro surto de varíola assombra Cotia e região. No inicio do século XX, Cotia e o Brasil, agora republicano, ainda guardam muita semelhança com a  freguesia da Cotia colonial. Um relatório de higiene datado de 1926 detalha o surto de bexiga na cidade. O documento apresentado pelo médico E. de Almeida Prado mostra a precariedade em relação à educação sanitária local, motivo da facilidade do avanço da epidemia. O relatório, que é um estudo de cinco anos de medicina e foi apresentado no Instituto de Higiene de São Paulo, aponta a dificuldade em classificar a mortalidade no município como podemos verificar:

“A ausência de médico no município muito contribui para a deficiência nas estatísticas de mortalidade, todas as mortes se catalogando entre as mal definidas ou acidentais, como se verifica nos comunicados do cartório local. Apenas em 1924 vemos um ligeiro esboço de discriminação por doenças, devido talvez ao fato de alguns médicos desta Capital lá terem ido se refugiar durante os dias anormais de São Paulo, presa de um movimento subversivo.”

AQUI VAI UMA FOTO:



Nesta fotografia vemos o Sr. Joaquim Nascimento, Guarda Sanitário, vacinando uma família de brasileiros, habitantes nas proximidades da cidade de Cotia. Pelo aspecto da casa que vemos acima, podemos fazer uma ideia do que era a higiene dos habitantes do município, pois são deste tipo as moradias dos sitiantes.

Os sanitaristas  conseguem mapear os bairros que adquiriram a doença em Cotia, mas deixam bem  claro que a contaminação veio de fora da cidade, do  Bairro de Votorantim, hoje cidade. 

“E.P.S., sexo feminino, e seus três filhinhos: M. S. M. (fem.) ; R. S. M. (masc.) e R. S. M. (masc.), residentes em Sorocaba, adquiriram nesta cidade a varíola. Mais ou menos oito dias após a volta de automóvel para a casa de seu pai neste bairro. Dois dias depois , em 8 de junho de 1926, foram removidos para o Hospital de Isolamento de S. Paulo.” 

Qual a ligação destes casos com a epidemia de varíola em Cotia?

“Como vimos, 4 dos casos de varíola que computamos neste bairro, vieram já doentes de Sorocaba; por isso deveriam ser excluídos da lista dos variolosos do município de Cotia. Não o fizemos, porque esses casos de varíola foram diagnosticados no município de Cotia, e no fichário da Inspetoria de Moléstias Infecciosas estão entre os casos deste município."

BIBLIOGRAFIA
Sepultamentos na Freguesia de Cotia.
Padre Daniel Balzan
Relatório de investigação sobre um surto epidêmico de varíola no Município de Cotia.
Relatório cedido pelo Sr. José Torrezani

Professor Marcos Roberto Bueno Martinez



CONFRATERNIZAÇÃO





Arquivo pessoal – Eliana Silva

O espaço do Restaurante Coruja existe até hoje, mas nessa época era baladíssimo, lugar de encontro das várias tribos da cidade. Eliana Silva não se lembra dos nomes de todos os colegas na foto de confraternização da primeira turma de formandos do colegial de humanas do “Zacarias”. Estes alunos estudavam no prédio antigo, onde hoje é o Pedro Casemiro Leite. Do lado esquerdo pula a primeira pessoa, a segunda é Eliana Silva, em seguida vêm Dalva Michelloti e Nazira Chalupe. Do lado direito, Luiz Carlos Gomes. Ele não era formando, mas amigo da turma. Formandos de 1972.
Observação: nessa época muitos alunos vinham de Itapevi para estudar no antigo Zacarias, pois lá não havia colegial, e a emancipação política de Cotia tinha acontecido há pouco tempo. Ajude-nos a identificar alguns alunos desta foto.

Professor Marcos Roberto Bueno Martinez

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

RESTAURANTE PICOLI




Este restaurante localizava-se no alto da serra de São Roque. Ali aconteciam muitas atividades realizadas pelo Hospital de Cotia, com o intuito de levantar fundos. Esta foto foi tirada na década de 70, em mais um evento, este organizado pelo médico Epitácio da Rocha Gadelha. O convite foi vendido por Quinze Cruzeiros e foi um sucesso, com a presença de mais de duzentas pessoas. Neste almoço beneficente foi servida uma alcachofrada. O prédio existe até hoje.

Professor Marcos Roberto Bueno Martinez

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O BULLYING BATEU À MINHA PORTA


Hoje sou costurado, sou tecido .
Sou gravado de forma universal.
Saio da estamparia, não de casa
Da vitrina me tiram, recolocam.
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem
Já não me convém o titulo de homem
Meu nome novo é coisa
Eu sou a coisa coisamente.

EU, ETIQUETA (Carlos Drummmond de Andrade)


No meu primeiro dia de aula tudo era novidade e surgia um mundo completamente diferente do qual tinha vivido até então. Amigos novos, recreio, merenda e um pátio imenso para correr e brincar. Cada criança naquele primeiro dia de vida escolar, ao seu modo tentava marcar seu espaço. Até aí tudo bem, mas foi na saída da escola que percebi que começaria a enfrentar problemas com os antigos alunos. Um menino bem maior do que eu dizia com uma cara de mau e com muita firmeza, que ia me bater na saída da aula. Fiquei apavorado, pois não tinha feito nada e aquele grandão queria me acertar. O que fazer?

Na saída ele partiu para a agressão, e fui cercado pelos seus amigos. Quando ele veio com um soco armado, não tive dúvida: agachei, peguei uma pedra e a lancei com destino certeiro, nos pés do menino, que desabou aos gritos. Para imaginar a cena, é só lembrar do enfrentamento de Golias e Davi.

Mesmo tentando me defender, o desfecho não foi nada satisfatório para mim. Quando cheguei em casa, a mãe do menino estava entregando a pedra para meu pai e contando a história do jeito dela. Levei “aquela” chamada e me foi dito muito claramente, que da próxima vez eu deveria procurar o diretor ou o professor, e depois contar em casa o que aconteceu. E  que nunca desrespeitasse meu professor! Aprendi que jogar pedra não era a melhor saída. Além do esfregão foram cortados alguns privilégios.

Cresci como milhões de crianças e jovens, influenciado pelas revoluções culturais dos anos 60 e 70. Os valores foram remexidos revirados e alguns triturados, e aquilo que era certeza até então, em termos de comportamento, deixou de ser. O homem chegou à lua, houve a Guerra Fria, o movimento hippie, a explosão do movimento estudantil no mundo, as ditaduras na América Latina, e os enfrentamentos da resistência foram criando um cenário nunca visto. A família também foi atingida em cheio por estas mudanças. A hierarquia patriarcal sofreu uma grande transformação.

Toda esta breve introdução e contextualização foram feitas para falar sobre a violência nas escolas, que vem atingindo pobres e ricos indistintamente, e cada um com seu grau de perversidade. Outro dia minha filha reclamou que os colegas de escola estavam “zoando” do seu sotaque nordestino, que às vezes, conforme a palavra, fica acentuado. Disse a ela que falasse com a coordenadora, e aparentemente as coisas se acalmaram.

Mas... a calmaria foi aparente. Ela e uma amiga foram atacadas covardemente no Facebook.  Não publicarei os nomes dos agressores e nem dos agredidos, claro, mas alerto os pais para que prestem mais atenção nos seus filhos. Foi postada uma foto de uma menina negra, de cabelos loiros, e a conversa virtual foi e é preocupante, estarrecedora, carregada de dissimulação, ódio, preconceito, prepotência, arrogância, homofobia, com a certeza da impunidade. Transcrevo um trecho:

“..... sim claro que sei ..... é essa que estou pensando ..... nossa que coisa feia! ..... que p... (palavrão) é essa ..... KKKKKKKK ..... Cara não cita o nome de ninguém aki ..... Qual o problema não existe só ..... na tal série ..... cuidado com o Prof. ..... Ele tem face(book) ..... Apaguei depois f... (palavrão) pro meu lado ..... Ele vai fazer o que me deixar de castigo hahaha ..... quem é esta preta ..... uma menina diz: c... (palavrão) parece com aquelas meninas.” E a agressão virtual vai longe, acrescida de muitos erros de Português, diga-se de passagem.

A escola tem a responsabilidade de promover palestras, discussões e atividades educacionais sobre o tema, ninguém tem dúvida sobre isso. Por outro lado, é bom salientar que a escola tem seu limite de atuação sobre os alunos, e o “grosso” da educação tem que ser realizado no núcleo familiar. Sabemos que estamos procurando um novo formato de família e de educação dos nossos filhos, mas tem coisas que são básicas, como colocar limite no uso da Internet, valorizar atividades culturais e nem tanto as de consumo, por exemplo. Que filhos estamos criando, que querem marcar seu espaço subestimando covardemente outros seres humanos, e com tamanho sentimento de desprezo?

Nos meus anos de sala de aula como professor, vi de tudo: aluno agredindo professor e vice-versa, mães incentivando seus filhos a reagirem com violência. O que percebi foi que muitas vezes o chamado aluno “problema”, quase que deixa de sê-lo, quando conhecemos os pais. Passamos a entendê-lo melhor. E se pudéssemos indicaríamos um tratamento a estes pais. Para encerrar o assunto, quando algum aluno se sentir agredido deve tentar dialogar com a escola e informar o ocorrido à família. Se o problema não for resolvido, os pais devem procurar o Conselho Tutelar e o Ministério Público. Não se calem!

Professor Marcos Roberto Bueno Martinez

Leituras complementares no blog:

  • Pais e Filhos
  • Violência na Escola